Peito Sadio – Zé Carreiro e Carreirinho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Zé Carreiro e Carreirinho foi uma dupla brasileira de música sertaneja.

Dados Artísticos

Zé Carreiro e Carreiriho††

Cantores. Compositores. Dupla sertaneja. 

Adalto Ezequiel, o Carreirinho – Bofete, SP-15/10/1921

Lúcio Rodrigues, o Zé Carreiro –

O pai de Carreirinho, João Batista, era sitiante e vizinho de Sô João Tropeiro e excelente violeiro de quem Adalto ficava apreciando o pontear da viola. O pai não aprovava a carreira musical por achar que viola era coisa de vagabundo. Foi o próprio pai, entretanto, quem lhe deu o primeiro instrumento. Em 1936, no último ano do curso primário, tocou pela primeira vez em público, apresentando a moda de viola “Minha vida” na festa de formatura, sendo muito aplaudido. Começou a se apresentar em festinhas e circos de Sorocaba, cantando músicas de Raul Torres. Foi num circo em 1945 que formou sua primeira dupla, Adalto e Ferraz, que durou um ano. Em 1946, seguiu para São Paulo onde formou uma segunda dupla com Piracicaba, adotando o nome de Botucatu, na dupla Piracicaba e Botucatu. Ficaram juntos durante um ano, apresentando-se num programa ao vivo na Rádio América de São Paulo. Em seguida Adauto mudou o nome para Pinheiro e juntou-se ao investigador de polícia José Stramandiola, que passou a chamar-se Zé Pinhão, na dupla Zé Pinhão e Pinheiro. Em junho de 1947, estrearam no programa “Sítio do bicho de pé”, na Rádio Record de São Paulo. A dupla se separou no mesmo ano. Em seguida, Adalto formou dupla com Lúcio Rodrigues, intitulada Lúcio Rodrigues e Fortaleza. Adauto identificou em Lúcio Rodrigues a perfeita segunda voz que procurava e lhe ofereceu parceria. Lúcio Rodrigues que, a princípio, não aceitou, acabou convencido pelo salário de Cr 600 por mês, o equivalente a três ou quatro salários mínimos. Fizeram um primeiro programa na Rádio Record que agradou prontamente. A própria rádio organizou um concurso para a escolha do novo nome da dupla. Blota Jr. sugeriu Tupi e Tupã, J. Pinheiro sugeriu Pardinho e Pardal, Armando Rosa, Zé Carreiro e Carreirinho e Adoniran Barbosa, Minguinho e Mingote. O público votou por carta e o nome escolhido foi Zé Carreiro (Lúcio Rodrigues) e Carreirinho (Adauto), uma dupla que esteve junta por 12 anos e gravou 110 discos em 78 rpm e quatro LPs. Em agosto de 1950, gravaram o primeiro disco 78 rpm. O disco havia sido fruto de muita insistência dos lojistas junto à gravadora. De um lado “Canoeiro”, de Zé Carreiro, e do outro “Ferreirinha”, de Carreirinho. O sucesso do disco foi grande. A dupla Tonico e Tinoco da gravadora Continental se interessou em gravar o cururu “Canoeiro” e Zé Carreiro e Carreirinho acabariam contratados pela Continental. Em março de 1951, lançavam o segundo disco com o cururu “Pirangueiro”, de Zé Carreiro e a moda de viola “A morte do carreiro”, de Zé Carreiro, e Carreirinho. Seguiram-se sucessos como “Pião catireiro”, de Teddy Vieira e Lauripe Pedroso, “Sucuri”, de Ado Benatti e Zé Carreiro, e “Duas cartas”, de Zé Carreiro e Carreirinho. Outros sucessos da dupla foram “Crianças do meu Brasil”, “Jamais seremos esquecidos”, de Zé Carreiro e Carreirinho, uma versão sertaneja para a música “Sinhá Maria”, de Rene Bittencourt, “Teu nome tem sete letras”. Vieira, “Buquê”, de Zé Carreiro e Carreirinho, entre outras. Em fins dos anos 1950 a dupla se desfez em virtude de Zé Carreiro ter tido problemas nas cordas vocais e ficado surdo. Carreirinho forma então nova dupla com José Dias Nunes, que adotou o nome de Tião Carreiro. O primeiro disco da nova dupla saiu em 1958 pela Continental com o tango “Mariposas do amor”, de Torrinha e Canhotinho, e “Rei do gado”, deTeddy Vieira. Outros sucessos da dupla Tião Carreiro e Carreirinho foram “Pirangueiro”, de Zé Carreiro, “Saudades de Araraguara”, de Zé Carreiro, “Despedida de solteiro”, de José Fortuna, “Madalena”, de Tião Carreiro e Carreirinho, “O beijo”, de Tião Carreiro e Carreirinho, “Esqueça a sua Maria”, de Raul Torres e João Pacífico, entre outras. Após quatro anos de duração, 10 discos de 78 rpm e um LP lançados, a dupla se desfez. Em 1962, foi refeita a dupla Zé Carreiro e Carreirinho para o lançamento do LP “Meu carro e minha viola”, com destaque para “Boi cigano”, de Tião Carreiro e Pião Carreiro, e “Terra roxa”, de Teddy Vieira. No mesmo ano a Chantecler lançou um LP em homenagem à dupla Zé Carreiro e Carreirinho com antigos sucessos. Com o afastamento definitivo de Zé Carreiro da vida artística por volta de 1963, Carreirinho foi para Maringá. Em 1968, retornou para São Paulo e formou com Iracema Soares Gama uma nova dupla com o nome Carreirinho e Zica Carreirinho, que durou 16 anos, com a gravação de 12 LPs, dois compactos duplos e um compacto simples. Foram sucessos da nova dupla: “Flor de minha vida”, de Zé Matão, “Saudade”, de Caboclo, “Encontro fatal”, de J. Vicente, “Vem meu amor”, de J. Vasco, e “Mundo vazio”, de Pardinho. Em 1974, gravaram um LP pela Chantecler intitulado “Recordando Zé Carreiro”. Outras músicas daquele disco foram “Deus é meu guia”, de Zuza, “Saudade do nosso amor”, de Teddy Vieira e Tião Carreiro, “Rincão de nossa terra”, de Zica Carreirinho e Carreirinho, “Cão fiel”, de Zé Godói e Biguá, e “Tormento da noite”, de Cafezinho e Nhô Juca. Em 1975, a dupla lançou um LP com destaque para “Formigueiro de gente”, “Policena” e “Palhaço”. Em 1979, foram homenageados pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo com um show no ginásio de esportes do Corinthians. Em 1980, receberam em Curitiba uma placa de Honra ao Mérito dos artistas paranaenses. Em 1984, Carreirinho formou uma nova dupla, agora com Zé Matão, com quem gravou cinco LPs em cinco anos de carreira. Em 1991, Carreirinho formou a dupla Carreiro e Carreirinho, gravando um LP e 10 CDs. Carreirinho teve cerca de 1.600 músicas suas gravadas. Os shows eram abertos normalmente com “Caboclinha” e seguindo daí em diante em clima de improvisação de roteiro a partir de pedidos do público.

Velha Fazenda – Lourenço e Lourival

Lourenço & Lourival
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Lourenço & Lourios irmãos Arlindo Cassol e Antonio Cassol, são uma dupla de cantores de música sertaneja do Brasil nascidos na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Lourenço e Lourival são filhos de lavradores, e portanto, trabalharam na lavoura desde cedo, porém, sempre sonhando com a vida artística. Nas horas vagas, a imaginação transformava as enxadas em violas e latinhas velhas em microfones.
Logo cedo começaram a se apresentar em rádio de Ribeirão Preto. No começo da carreira, eles eram Maurinho e Toninho”. Em 1959, Lourenço, com 13 anos, e Lourival, com 11, então Maurinho e Toninho, foram tentar a vida em São Paulo, e depois de muita luta em rádio de São Paulo, foram contratados.
Pouco tempo após, foram para a Rádio Bandeirantes, e depois, para a Rádio Nacional, onde demonstravam seu trabalho.
Lourenço e Lourival, na Rádio Record, onde trabalhavam Zé Bétio e José Russo, eram apresentados com “as vozes de cristal”.
Entre os sucessos emplacados por Lourenço & Lourival, estão “Se ainda existe amor”, “Canga do tempo”, “A caneta e a enxada”, “Menina da aldeia”, “Armadilha do destino”, “Velha porteira”, “A cruz que carrego”, “Meu reino encantado”, “O telefone”, “Anel de noivado”, “Como eu chorei”, “Franguinho na panela” …
Aos 14 anos começamos a cantar na Rádio 79, em Ribeirão Preto, no programa “Festinha na Roça” do Compadre Barbosa, componente da dupla Barreiro e Barroso.
Aos 15 anos mudaram-se para São Paulo, onde começaram a trabalhar na Rádio América. Foram contratados pela gravadora Continental, ainda com o selo Chantecler, onde gravaram 1 disco de 78 rotações com amor derrotado de João Pereira Guimarães e “comprometida” musica de Lourival e letra de Lourenço e depois vem o seu segundo disco de 78 rotações desta vez pela odeon com as música “beija flor” e “pagode da comparação” posteriormente seu 1º LP.
Pouco tempo depois foram para a Rádio Bandeirantes, no programa Serra da Mantiqueira e, logo após, para a Rádio Nacional, onde tiveram como companheiros de trabalho nomes como Tião Carreiro e Pardinho, Abel e Caím, Zé Fortuna, entre outros.
Em 74 foram trabalhar no programa Linha Sertaneja Classe A, na Rádio Record, juntamente com Zé Béttio e José Russo, onde permaneceram durante 16 anos. Lá receberam o título carinhoso de “as vozes de cristal”.
Lançaram mais 30 LPs pela gravadora Chantecler, trabalhos remasterizados e disponíveis atualmente em CDs, e 15 títulos pela gravadora RGE.
Contratados desde 2004 pela Gravadora Alegreto, já lançaram mais 3 CDs e alguns DVDs em parceria com outras duplas. O projeto do 1° DVD da dupla já está em andamento e em breve os fãs poderão conferir este novo trabalho.
Queridos e respeitados pelos fãs de todo Brasil e até do exterior, como Estados Unidos, Japão e Mercosul, não param de viajar, mantendo viva a verdadeira música raiz brasileira.
O pouco tempo livre da dupla é dedicado às suas famílias e outras atividades paralelas em sua cidade natal, onde fazem questão de permanecer cultivando suas raízes. Como reconhecimento destes trabalhos, foram presenteados em 1997 com o título de “Cidadãos Ribeirão pretanos”.
A humildade e simpatia são marcas registradas destes irmãos, que fazem questão de receber seus fãs e amigos, conquistados ao longo destes 45 anos de muito trabalho.
Se apresentaram em 2010 na cidade de Nova Brescia.
Crédito: Ederaldo Gonçalves

Caminhos da Vida

Caminhos da Vida
Marco Brasil

Onze anos na estrada, cumprindo minha jornada; com a carreta a
viajar.
Em uma dessas viagens, meu bateu um cansaço, parei num posto
para descansar!

Já era de madrugada quando um anjo me acordou
Me incumbindo de um frete que São Cristóvão determinou
Você vai para Holambra, carregar lá na cidade das flores…
Pode ficar sossegado que eu te aviso quando o caminhão estiver
carregado
É para o céu que você vai viajar!

No mesmo instante me disse, vá, está tudo pronto e você não pode
demorar!
Não precisa nem de ajudante, mas leve este gravador, eu sei que
vai precisar.

Quando eu cheguei no céu, muita gente a me esperar!
Foram gritando:
Olha o caminhão da Morada vamos com o motorista conversar:

Todos queriam contar sua mágoa, sua dor;
Foi aí que eu entendi, o porque do gravador:
Para gravar mensagens de paz e trazer a este povo sonhador!

Comecei formar uma fila para não tumultuar
Toninho Boiadeiro, Renato Cordeiro e o Gilberto Preto
Tiveram que me ajudar!

Uma jovem sorridente pediu: deixa eu falar primeiro!
Beto Belentano reconheci seu caminhão, eu vi o letreiro;
Meu pai trabalhou com o Senhor, sou filha do André Monteiro!

Nisso um Senhor com olhos rasos d’água pediu para sua historia
contar
Outro gritou lá do fundo, seja rápido que a fita do gravador
pode acabar!

Eu tinha um 113 de caçamba, trabalhava na região de Piracicaba,
Rio das Pedras e Mombuca, até que um dia eu fui assassinado
na rodovia do açúcar.

Um outro caminhoneiro me mostrou um sinal profundo nas mãos e
dos pés
Viajava sempre sozinho, vejam só como é que é
Até que um dia eu carreguei, em Tuneiras D’ Oeste no Paraná, uma
carga de café
Com destino à São Paulo, cidade de Avaré
Roubo de carga, quadrilha não deixa pista, leva a carga
E na maioria das vezes a vida do motorista.

Chega agora um moço alto, de olho azul, pelo sotaque notei que
era do sul
Quero contar o meu passado:
Parei para trocar um pneu que havia furado, inocente não
percebi
Dois homens atrás de mim, fortemente armados,
Um falava no celular, o outro me mantinha deitado.
Nos olhos dos dois o ódio estava estampado
É verdade eu não minto, deu até pra ouvir o estampido da 765
Quando o gatilho foi acionado!
Um outro me pediu, grave aí minha historia:
Pelo sotaque forte, era um caboclo do norte
Trazia uma rede no ombro e uma toalha no pescoço
Pedi silencio, vamos ouvir este moço!

Meus amigos vejam como eu fazia:
O dia pra mim era noite e a noite pra mim era dia!
Carregava no Nordeste e chegava em São Paulo chinelando o câmera
fria.
Viagem de 48 no meu 16-18 eu fazia em 38!
Mas foi na Rio Bahia, na madrugada de um certo dia,
o fim da minha história seu moço!

Me chamaram de conterrâneo, abracei os dois e senti vontade de
chorar.

Chorando um deles disse:
Viajávamos contentes, era tudo maravilha,
De repente uma batida de frente, acabou tudo na Belém/Brasília.

A notícia chegou de imediato, o povo não quis acreditar…
A cidade de Borborema, no interior de São Paulo
ficou três dias parada, esperando a gente chegar,
O povo ficou emocionado ao ver o que tinha sobrado do Ninão e do
Dito Araçá!

Na seqüência chegou um moreno sorridente
E parando na minha frente disse grave aí um recado meu:
Peço calma aos motoristas, os acidentes ainda são constantes,
Eu também perdi a vida, na via dos Bandeirantes!
Nem lembro a velocidade que eu desenvolvia,
afinal era uma BMW, o carro que eu dirigia!

Diz pro meu amigo seguir em frente sua missão, pois toda vez que
ele canta aí;
Eu o acompanho daqui no refrão!

Até um estúdio tem aqui pra nós, eu vou gravar com o Pardinho;
Com o Tião Carreiro eu não combino a voz!
Evaldo Braga, Moraci, Duduca, Jessé, João Pacífico,
Cezar Rossini, Gonzagão e Gozaguinha, Xavantinho
Barrerito, Sandro, Leandro, Belmonte e Zilo
Eles também cantam com a gente,
fazemos uma mistura de voz, em duetos diferente!

Fora da fila, notei uma alegria de como quem brinca um menino,
Dei um abraço forte, era o tropeiro João Palestino!

Vem chegando um baixinho gesticulando.
É um moço que há muito tempo aqui no céu está cantando!

Neste momento eu disse: Eu te conheço?
Ele disse: Guri eu acho que não, pois quando eu vim pra cá
você ainda era um piazão!

Aproveito a oportunidade de pedir um favor atual,
para que você realize um desejo meu:
Sei que você é o caminho, peça pro Negrão tocar minha música
no Programa do Ratinho!
Aquele sujeito é batuta, anda com o povo na linha.
Agradeça a ele por nós e mande um abraço do gaúcho Teixeirinha!

Nisso recebi um bilhete de um senhor educado, que dizia assim:
Na sua próxima viagem traga uma foto de Itápolis para mim
Lá tem uma rua que tem o mesmo nome meu
Nela plantei algumas árvores, quero ver se já cresceu!
Dei um abraço em Zé Fortuna, o meu coração doeu.

A fita estava acabando,
quando alguém vestindo um terno branco e de microfone na mão
disse:

Cowboy da Estrada deixa eu te dar um abraço apertado
Reconheci, era Zé do Prato locutor apaixonado!
E ele disse:

Este microfone era do Marco Brasil, mas agora é meu;
Ele veio narrar um rodeio aqui no céu e de lembrança me deu!

Zé do Prato tinha na mão um tanto de oração e falou assim
comigo
Entregue essas orações a esses grandes amigos:
Jorge Moisés, Ivan Diniz, Piracicabano, Barra Mansa, Lalau dos
Santos,
Alan Coelho, Donizete Alves, Asa Branca, Capixaba, Sebastião
Ribeiro Chá!

Essa é para o Juliano Cesar, pra ele guardar no chapéu
Pois ele vive dizendo que eu sou o locutor aqui do céu.

Beto, esta é especial,
Entrega para o moço que contou um sonho e o mundo inteiro
ouviu,
Essa é para o Marco Brasil:

Marco Brasil, do rodeio que você fez aqui o povo ainda sente
saudade sua;
Os seus versos engraçados um anjo para de falar o outro
continua
Pediram até pra eu te imitar, não sei se vou saber
Não é o meu estilo, não tenho nada ensaiado, vamos ouvir o que
vai acontecer:

Alô, alô meu povão apaixonado,
Alô meu povo, tche, tche, tche!!!

E foi assim, com esta voz sumindo que acordei assustado;
na boleia do caminhão com o travesseiro molhado.
Mas logo o susto e a tristesa pela alegria foram trocados
Lembrei então daquelas mensagens e uma esperança surgiu
Tenho que contar pra todo mundo:
Na forma deste poema narrado por Marco Brasil!

A Tradição Não Morre já mais

João Carreiro e Capataz

Viola, com você no meu peito
Me sinto um guerreiro pronto pra missão
Sou o seu recruta que vive e que luta
Só para manter essa tradição
De um povo caipira de interior
Canto com amor, coisas do sertão

Viola, com você nos meus braços
Não existe cansaço pra me dominar
Encaro os espinhos que a vida tem
Não deixo nada ou ninguém me desanimar
Espelhando em um homem que o tempo não consome
Sabendo que seu trono ninguém pode ocupar

Viola, nas mãos de Tião Carreiro
Grande rei violeiro que hoje descansa em paz
Viveu os seus dias de lutas e glórias
Ficou pra história e não morre jamais
E dando sequência nesta trajetória
Nos braços desta viola João Carreiro e Capataz

O destino aqui me trouxe
Cantar pra você eu vou.

Música sertaneja

Silvio Tanaka - Inezita Barroso
Inezita Barroso na edição de 2008 da Virada Cultural em São Paulo.
Inezita Barroso.

Primeira era – Música Caipira ou Música Sertaneja Raiz

Foi em 1929 que surgiu a primeira música sertaneja como se conhece hoje. Ela nasceu a partir de gravações feitas pelo jornalista e escritor Cornélio Pires de causos e fragmentos de cantos tradicionais rurais do interior paulista, sul e triângulo mineiros, sudeste goianomatogrossense.[1] Na época destas gravações pioneiras, o gênero era conhecido como música caipira, cujas letras evocavam o modo de vida do homem do interior (muitas vezes em oposição à vida do homem da cidade), assim como a beleza bucólica e romântica da paisagem interiorana (atualmente, este tipo de composição é classificada como “música sertaneja de raiz”, com as letras enfatizadas no cotidiano e na maneira de cantar).[nota 1]

Além de Cornélio Pires e sua “Turma Caipira”, destacaram-se nessa tendência, mesmo que gravando em época posterior, as duplas Alvarenga e RanchinhoTorres e FlorêncioTonico e TinocoVieira e Vieirinha, entre outros, e canções populares como “Sergio Forero”, de Cornélio Pires, “O Bonde Camarão” de Cornélio Pires e Mariano, “Sertão do Laranjinha”, de Ariovaldo Pires e “Cabocla Tereza”, de Ariovaldo Pires e João Pacífico.[1]

Atualmente, a música sertaneja de raiz ainda sobrevive, sendo divulgada, por exemplo, por Mazinho Quevedo, Miltinho Edilberto, Daniel ou Inezita Barroso, com seu programa Viola Minha Viola.

João Carreiro – ABSTINÊNCIA feat. Jads e Jadson

Abstinência (part. João Carreiro)
Jads e Jadson

Por causa de você
Eu me apeguei na viola
Pra te esquecer
Quando cê foi embora
Quando cê foi embora

Me remoendo estou
Com este sentimento
De te encontrar
A qualquer custo-tempo
Não vai arrancar de mim esta louca vontade

Louco de saudade tô
Tentando me virar, sozinho sou
Tão ordinário sem você
Sem você
Talvez você queira voltar
Vai ver que aqui é seu lugar
E nunca mais vai me deixar

Tô aqui me embriagando tô
Escutando um modão
Sofrendo abstinência do seu coração
Não faz isso comigo não
Tô aqui e se estiver também
Nessa mesma que eu
Logo vai ver o quanto nosso amor valeu
E o desejo é meu e seu

Louco de saudade tô
Tentando me virar, sozinho sou
Tão ordinário sem você
Sem você
Talvez você queira voltar
Vai ver que aqui é seu lugar
E prometer nunca mais me deixar

Tô aqui me embriagando tô
Escutando um modão
Sofrendo abstinência do seu coração
Não faz isso comigo não
Tô aqui e se estiver também
Nessa mesma que eu
Logo vai ver o quanto nosso amor valeu
E o desejo é meu e seu

BEM VINDO AO MEU SERTÃO SERTANEJO

Poema Sertanejo

Chitãozinho e Xororó

Caminhos de Minha Infância

Ah! se eu pudesse

Dedicaria ao meu sertão mais uma prece

Ah! mas não precisa não

Lá já existe a mais bonita oração

O sol desponta docemente nas montanhas

Tingindo em ouro os verdes solos das colinas

A névoa branca submerge das entranhas

Na terra virgem da pureza das campinas

E o riacho entoando morro abaixo

E o canto lindo de um poema sertanejo

A viola nos seus versos que consola

Este meu peito ansioso de desejo

Ah! se eu pudesse

Dedicaria ao meu sertão mais uma prece

Ah! mas não precisa não

Lá já existe a mais bonita oração

Cai o orvalho derramando as suas lágrimas

Por uma noite mal dormida menos fria

O rouxinol lamenta triste a suas mágoas

Gorjeando a mais dolente melodia

E o sertanejo bem nutrido louva à Deus

As suas plantas bem crescidas e vistosas

Aqui só falta um alguém nos dias meus

Para deixar a minha vida cor-de-rosa

Ah! se eu pudesse

Dedicaria ao meu sertão mais uma prece

Ah! mas não precisa não

Lá já existe a mais bonita oração

Lá já existe a mais bonita oração

Lá já existe a mais bonita oração

(Pedro Paulo Mariano – Santa Maria da Serra-SP)

Compositor: Goiá e Amaraí